Animal da Semana - Cachalote

O cachalote é a maior das baleias com dentes, facilmente reconhecido pela sua enorme cabeça quadrada e maxilar inferior estreito. Este mamífero cetáceo pertence à família dos Physeteridae. Os cachalotes pigmeu e anão (Kogia breviceps e K. simus) são os únicos outros membros desse grupo.


Onde vive o cachalote

Estes cetáceos são encontrados em águas temperadas e tropicais de todo o mundo. As fêmeas e os filhotes andam em grupos de cerca de 15 a 20 em regiões mais temperadas. Os machos, de hábitos mais solitários, podem vaguear em regiões mais frias, até os polos.

Características físicas

O cachalote é azul escuro, cinza ou marrom, com manchas brancas na barriga. É robusto e tem pequenas barbatanas e uma série de corcundas arredondadas em sua parte traseira. Os machos alcançam um comprimento máximo de cerca de 19 metros e as fêmeas de cerca de 12 metros. O peso destes grandes animais varia entre 39 e 53 toneladas. A cabeça constitui um terço do comprimento total do corpo e, estima-se, mais do que um terço do peso do corpo. A mandíbula inferior é normalmente equipada com 36 a 50 grandes dentes cónicos.
A cabeça apresenta um nariz elaboradamente desenvolvido e um lábio superior onde está localizado o órgão do espermacete; o fluído do espermacete, que tem a textura de uma cera branca, fora extraído para iluminação e lubrificação. O cachalote chega a ter até 2.000 litros dessa substância. O órgão do espermacete pode estender-se até 40 por cento do comprimento da baleia.

Comportamento

Os cachalotes são mergulhadores profundos, normalmente atingindo uma profundidade de cerca de 350 metros. Foram encontrados presos em cabos mais de 1.000 metros debaixo da superfície do mar. Não é incomum para os cachalotes mergulhar por uma hora ou mais e ficam na superfície por cerca de 10 minutos respirando continuamente, com intervalos de 10 segundos. Eles podem navegar a uma velocidade de 7.4 quilômetros por hora. Os cachalotes se alimentam de peixes e principalmente de cefalópodes, incluindo a lula-gigante.

Ciclo de vida

Os cachalotes atingem a maturidade sexual entre os 7 e 13 anos de idade e a maturidade física entre os 25 e 45 anos. Depois de um período de gestação entre os 15 e 16 meses, a fêmea dá à luz só uma cria, que fica com a mãe por vários anos até alcançar a maturidade. Há registros de que chegam a viver até 62 anos.
Os cachalotes são comercialmente valiosos e têm sido caçados por vários séculos. A baleia branca do romance de Herman Melville, Moby Dick (1851), é provavelmente uma baleia cachalote albina.


Moby Dick - ilustração

Baleias mudam forma de respirar para evitar ataques de gaivotas

  Na Patagônia argentina, cetáceos parecem ter desenvolvido estratégia contra ataques de pássaros, mas a técnica tem desvantagens.

Laura Plitt 
Da BBC Mundo
09/12/14



  É uma cena violenta. Um confronto difícil de assistir sem contorcer o rosto ou, de vez em quando, desviar o olhar.
  Repete-se a cada ano entre julho e dezembro em Península Valdés, na Patagônia argentina.
  Os rivais: gaivotas e baleias francas.
  Embora pareça uma luta entre David e Golias, é a baleia que tem tudo a perder.
  Desde os anos 70, inúmeros ataques de gaivotas a baleias têm sido registrados nesta região para onde os mamíferos aquáticos viajam com o objetivo de dar à luz e amamentar seus filhotes antes de iniciar sua viagem para a Antártida.
  Sempre que os cetáceos saem da água para respirar, as gaivotas usam seu bico para arrancar pedaços inteiros de pele e gordura.
  A baleia, com dor, arqueia as costas imediatamente.
  De acordo com uma nova pesquisa publicada na revista científica Marine Biology, esses gigantes marinhos, que podem medir até 16 metros de comprimento e pesar 50 toneladas, estão começando a mudar a forma como respiram para evitar esses ataques violentos.
  "As gaivotas produzem feridas, úlceras circulares, que podem se tornar uma via de entrada para agentes infecciosos", diz Ana Fazio, pesquisadora do argentino Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet, na sigla em espanhol) e autora principal do estudo.
  "Além disso, sem pele, elas podem perder a temperatura do corpo."
  Algumas têm tantas feridas que, quando os ferimentos se juntam, formam uma espécie de pequeno canal.
  Mas o maior problema são os filhotes, diz a pesquisadora. "Eles têm a pele muito mais frágil. Mudam de pele muito rapidamente porque crescem muito todos os dias", diz. Isso os torna mais vulneráveis.
  Os ataques, que aumentaram desde que começaram a ser observados, não são para saciar a fome - na região, não faltam lixões a céu aberto ou áreas de descarte de peixes. Aparentemente, se trata de um comportamento adquirido e repassado de geração para geração de gaivotas.
  • Respiração oblíqua
  Agora, os indícios são de que foram as baleias quem adquiriram conhecimentos para tornar essa convivência menos prejudicial para a sua espécie.
  "Quando as baleias respiram, normalmente levantam primeira a cabeça e depois o corpo. E, se vão fazer um mergulho profundo, levantam a cauda também", disse Fazio.
  "O que eu comecei a notar é que, agora, levantam a cabeça até o espiráculo (orifício usado para respiração na altura da do que seria a nuca) e, em seguida, voltam a entrar na água. Inspiram em um ângulo de 45° e submergem novamente".
  Fazem isso de forma rápida, explosiva, mantendo o corpo dentro da água.
  A pesquisadora diz que esse tipo de comportamento, que ela batizou de respiração oblíqua, está presente apenas nas baleias de Península Valdés.
  "Quando a baleia faz essa respiração oblíqua, a gaivota fica boiando ou planando e não ataca."
É diferente de curvar as costas, por exemplo - outro comportamento verificado em adultos, uma estratégia que também pode evitar bicadas, mas não é exclusiva das baleias da Patagônia argentina.

  • Energia extra

  Apesar de ainda não estar confirmado que isso reduz o número de lesões, é evidente que está limitando as possibilidades de ataque, diz Fazio.
  A vantagem deste comportamento, explica, é que também pode ser adotado por filhotes. Porém, a nova estratégia também tem desvantagens.
  Manter o corpo embaixo d'água exige um gasto de energia extra, algo custoso para os filhotes, que deveriam usar a maior parte de sua energia para mamar, crescer e ganhar força para garantir a viagem para a Antártida.
  Além disso, fugir das gaivotas nadando mais rápido também exige um custo de energia adicional.
  Apesar de tudo, a estratégia parece estar se consolidando. Na medida em que a população das aves não diminui, os cetáceos continuarão dependendo de sua própria criatividade para ganhar a guerra contra as gaivotas.